quinta-feira, 30 de abril de 2009

Umei Ouro Minas - 2009

Estou trabalhando nesta UMEI há um mês ou mais. A obra foi entregue no princípio deste ano. Ela fica no bairro Ouro Minas, na região Nordeste de Bh. A escola está linda e bem grande.









sábado, 25 de abril de 2009

(10)caminhos



Trabalhei em Ribeirão das Neves, no ensino fundamental, por 10 meses.Na época de realização do projeto que apresentarei a seguir, a escola ainda estava situada numa antiga construção próxima a sítios e fazendas no bairro Monte Verde. Diariamente, fazia uma caminhada em trilhas de terra por mais de dez minutos até a escola. Encontrava bois, cobras, formigas, flores e capins bonitos pelo caminho. Infelizmente, nem tudo era belo. O bairro tem depósitos de lixo a céu aberto horríveis e contrastantes - ao lado de muita área verde, há volumes grandes de sujeira. A comunidade local, em sua maioria, é bem pobre. Apesar de não ter trabalhado lá com educação infantil, acho que vale a pena apresentar o que foi desenvolvido.




(10)caminhos
UM PROJETO DE INTERVENÇÃO NO BAIRRO


ESCOLA MUNICIPAL JOAQUIM DINIZ ROCHA
PROFESSORA AUTORA DO PROJETO: CRISTINA BORGES
TURMA ENVOLVIDA : FASE II DO I CICLO
BAIRRO (10)CAMINHADO: MONTE VERDE
MESES E ANO DE AÇÃO: DE OUTUBRO A DEZEMBRO DE 2007


Por que realizar um projeto de intervenção no bairro Monte Verde?

A vizinhança da escola está repleta de lixos. As pessoas que transitam nos caminhos do bairro jogam lixos pequenos e grandes no chão e em outros lugares diariamente – e parecem ter se acostumado a percorrer as ruas e trilhas sujas. O problema é ainda maior: há áreas verdes destruídas que se tornaram verdadeiras lixeiras.
Recém-chegada na escola, soube de algumas iniciativas para tentar recuperar as áreas destruídas e outras para ao menos amenizar o problema. Nada foi resolvido.
Minha intenção mais forte não é a de resolver um problema que, para ser eliminado, precisa da intensa e interessada participação da comunidade, da escola e do poder público. Desejo, junto dos alunos, antes de tudo, ocupar criativamente espaços abandonados e mal cuidados que fazem parte dos arredores da escola. Temos também o grande interesse de fazer com que os passantes façam perguntas e sejam surpreendidos pelas inesperadas intervenções. Pretendemos criar descaminhos. Para isso, usamos também a poesia de Manoel de Barros, que quase sempre vê as coisas inúteis, abandonadas, não valoradas de um jeito muito especial e subversivo.

Para que serve um projeto como esse?

Ø Refletir, de várias formas, sobre o problema do lixo que é jogado de maneira indevida e abundante em muitas partes do bairro;
Ø Usar o lixo encontrado no caminho até a escola, nas matas próximas e próximo das casas dos alunos para produções diversas;
Ø Investigar as múltiplas possibilidades de transformar objetos descartados;
Ø Despertar a curiosidade dos passantes dos caminhos com instalações de objetos produzidos pelos alunos;
Ø Conhecer e apreciar concepções e trabalhos de artistas plásticos de diversos períodos da história da arte, sobretudo da arte contemporânea;
Ø Ocupar criativamente espaços abandonados, sujos, mal cuidados;
Ø Extrapolar os limites da escola;
Ø Reinventar caminhos;
Ø Trabalhar com a idéia de apropriação: usar recursos locais e transformar o entorno (e a própria escola).
Ø Dar novos valores a coisas, objetos que foram descartados e que estão abandonados – ter novos olhares sobre eles e propor a outros que também vejam de outras maneiras.
Ø Trabalhar com a poesia de Manoel de Barros e estabelecer um diálogo do projeto com seus temas.

Desenvolvimento

- Coleta de materiais descartados encontrados na comunidade;
- Seleção dos materiais coletados para a realização dos trabalhos;
- Ensino de história da arte;
- Leitura e troca de idéias sobre poesias de Manoel de Barros;
- Visitas em vários locais da comunidade e escolha dos espaços que receberão intervenções;
- Envio de e-mails para estabelecer contato com artistas plásticos contemporâneos que realizam intervenções diversas no país;
- Realização das intervenções e registros fotográficos;
- Produção de folhetos de divulgação para a comunidade.

Recursos

+ Humanos: alunos, professora, coordenadora, comunidade, coletivo da escola, passantes;
+ Materiais: muitas coisas imprestáveis.

Avaliações

Ø Observaremos:
- se foi legal;
- o tempo de permanência dos trabalhos(se foram arrancados, modificados por diversos fatores, etc);
- o que sentimos ao fazer as intervenções;
- se pudemos escutar com mais profundidade a poesia de Manoel durante as ações;

Ø será feito um pequeno questionário para o pessoal do bairro;
Ø durante o processo, trocaremos idéias que serão anotadas.

Bibliografia e fontes consultadas

SCOTTON, Maria Teresa. A Representação da infância na poesia de Manoel de Barros.PRESENÇA PEDAGÓGICA, vol.12,págs.49 a 57,n.º 67,jan./fev.2006

BARROS, Manoel. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Record,2001b.

FRANCA,Patrícia; NAZÁRIO,Luiz(orgs.). Concepções contemporâneas da arte.Belo Horizonte: Humanitas, ed.UFMG. 2007

http://poro.redezero.org/

http://www.giabahia.blogspot.com/

http://www.releituras.com/manoeldebarros_bio.asp






coleta de lixo na mata







pintando o material coletado




saindo com o material modificado para instalá-lo





Desenho (ao ar) livre


O que penso sobre

No âmbito escolar, fazer algo nas datas comemorativas é coisa bem controversa. Vou te contar... tem cada objeto horroroso e caricato pra dia tal e dia tal... Recentemente, vi pelas ruas várias crianças com cocares xerocados e coloridos. Há escolas que fazem cocares de papel(padronizados, é óbvio), enfei(t)am as crianças com durex colorido no rosto e chamam isso de celebração. O fim da picada é quando chamam isso de arte. Se escuto isso, beiro o desmaio! Abaixo, sem pudor, mostro exemplos extraídos da net mesmo de objetos que, definitivamente, não dá pra fazer!







dia das mães

dia do soldado

Para saber mais:

http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=66

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Canteiro





Em 2006, na Umei Castelo, fizemos alguns trabalhos com as folhas das árvores que caem abundantemente na escola.Espetamos colagens feitas nas folhas numa encosta que fica de frente para a horta da Umei. Quis, com isso, reduzir o consumo de papel e:
> demonstrar que é possível fazer colagens, pinturas, desenhos em folhas de plantas;

> dar outros fins para um material perecível e desvalorizado;
> dialogar com propostas poéticas,sensíveis e belas de grupos de intervenção urbana existentes na cidade;

> pensar em alternativas contrárias ao desperdício e à mesmice;

> discutir algumas práticas vigentes na escola;

> etc...


Tenho profundo carinho por dois trabalhos de Brígida Campbell, artista plástica e gráfica e integrante do grupo Poro. Eles foram as principais referências para a realização do trabalho. Eis as imagens abaixo:

Folhas de ouro http://folhasdeouro.redezero.org/

Painel de ações - UMEI Paraúnas, 2005

detalhe do painel

Em 2005, trabalhando com as crianças de 2/3 anos, fizemos esse painel que foi se formando ao longo de uns meses. Valia quase tudo: pintura, rasgação, colagem, rabiscação... Eu fazia com eles. Um trabalhão coletivo, incluindo a educadora.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

2006 - Mostra Plural no parque municipal

Em 2006, gravídissima, prestes a ganhar meu caçula, participei da Mostra Plural.Eu e a saudosa Cristina, vice-diretora da UMEI Castelo na época, levamos para o Parque Municipal parte dos trabalhos desenvolvidos na escola no meu período de extensão de jornada. A teia foi instalada em outro contexto também repleto de árvores.


sim, levei a teia da UMEI Castelo para o parque!


Ups!

painel de papel e plástico feito com desenhos de crianças de 4 a 6 anos e instalado em um dos painéis da Mostra

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Um e-mail muito precioso.

"oi!visitei seu blog desde sabado, mesmo!tentei postar meu comentario lá mas... nao consegui. terá sido por incompatibilidade ou porque nao sei usar estas 'coisas'?!...enfim o que eu escrevi lá foi mais ou menos isto:quero te parabenizar pelo trabalho de divulgaçao, e principalmente, busca por conscientizaçao e alguma visibilidade ao trabalho que deve ser verdadeiramente dedicado. que vc prossiga neste intuito (e nos que ele abrange) de apresentar mensagens, ideias, imagens, atividades, que primam pela honestidade no trabalho do artista-educador! que vc - e eu! e os outros mais dedicados - prossigamos na luta pelo aprimoramento nosso e dos meios dos quais utilizamos e necessitamos!um grande abraço!da amiga, giane.obs: meu comentário nao foi de irmã, foi de colega de trabalho, em primeiro lugar! se houver maneira deu participar com comentarios no proprio blog, sem ter que fazer um, me fala como, por favor. hi,hi,hi...bye".

Giane Mendes Figueiredo. Minha preciosa irmã, artista plástica e arte-educadora.

domingo, 12 de abril de 2009

O que é arte-educação? Trecho de entrevista com Ana Mae Barbosa



"O ensino da arte no Brasil deve muito à educadora Ana Mae Barbosa. Primeira brasileira com doutorado em arte-educação, pela Universidade de Boston, EUA, ela foi pioneira em aplicar um programa sistematizado do ensino da arte em museus, durante sua gestão como diretora do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo, em 1987. Por meio da metodologia triangular, como ficou conhecida a proposta, Ana Mae implementou o ensino da arte utilizando uma abordagem com tríplice ação: o ‘fazer’artístico; o ‘ver’, com a leitura da obra de arte; e o ‘contextualizar’, com o estudo da informação histórica.(grifo meu)

O que vem a ser arte-educação?
Ana Mae Barbosa: Para mim, Arte/Educação é todo e qualquer trabalho consciente para desenvolver a relação de públicos (criança, comunidades, terceira idade etc.) com a arte. Ensino de arte tem compromisso com continuidade e currículo, quer seja educação formal ou informal. Arte Educação foi o termo usado por meus mestres. Eu acrescentei o hífen,Arte-Educação, no momento em que arte era recusada pelos educadores, nos anos de sua introdução obrigatória no currículo escolar, em torno de 1973-1974, para dar idéia de diálogo e mútuo pertencimento entre as duas áreas. Na época, meus mestres gostaram da ideia. Recentemente, em 2000, um lingüista nos aconselhou a usar a barra, pois este sinal, sim, é que significa mútuo pertencimento.Tanto é assim que a barra é muito usada em endereços de sites, quando um assunto específico está dentro de outro mais amplo. Mas Arte/Educação e ensino de arte são faces diferentes de uma mesma moeda, a moeda concreta da intimidade com a arte”.

Trecho de entrevista com Ana Mae Barbosa extraído de: http://www.simaodemiranda.com.br/Falandosobreoensinodaartenaescola.pdf
Quem quiser ver mais, é só acessar o link acima!

Programa Roda Viva com Ana:
http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/370/entrevistados/ana_mae_barbosa_1998.htm

sábado, 11 de abril de 2009

As folhas que não viraram lixo, ou adubo, ou algo previsível - UMEI Castelo, 2006

(...)“Nós nos acostumamos a só ver aquilo que é dinâmico, que se agita ante os nossos olhos, que acontece. É disso que trata a foto jornalística. Mas e quando nada, aparentemente, está acontecendo? O vento soprando nas árvores ou uma mulher que levanta a mão, com graça, como se fosse soltar um balão. Aí não se vê nada. Mas, de fato, tudo está acontecendo. Essas cenas são delicadas demais ou grandiosas demais para ficarem impressas na retina habitual ao que é passageiro."Nelson Brissac Peixoto


video




Esta instalação foi feita em 2006 na UMEI Castelo. Trabalhei lá por 4 meses(extensão de jornada). Estive na função educadora apoio - pra quem não sabe o que é isso, é um professor que não é referência apenas de uma turma. Passa, durante o dia, em algumas turmas enquanto o professor regente faz seu horário de estudo. Eu e as crianças vivemos uma proposta poética usando muitos elementos naturais da escola(folhas das muitas árvores que caíam todos os dias lá). Saíamos para coletar as folhas e pensávamos nas possibilidades de usá-las para trabalhar. Para tal, disponibilizei tintas, cola colorida e outros materiais para os grupos transformarem o material coletado. Na época, estava muito revoltada de ver que muitas escolas - incluindo as de educação infantil - usavam(e continuam usando) quase que loucamente todos os dias, quantidades exorbitantes de papel - e muitas vezes com propostas ruins, o que justifica o horroroso desperdício.Foi uma maneira de legitimar o uso de outros suportes para pintura de modo criativo,econômico e belo.




reunião das crianças em torno de material coletado

pintando a folha com cola rosa


folhas secando


penduradas


sexta-feira, 10 de abril de 2009

Leitura da imagem e interpretações gráficas das crianças - UMEI Paraúnas, 2009

ACIMA, "CEIA EUCARÍSTICA", de VICENTE DO REGO MONTEIRO













DESENHOS DE CRIANÇAS DE 5 ANOS - UMEI PARAÚNAS




Eu e as crianças na UMEI Paraúnas, em Venda Nova, trabalhamos, por um período de quase dois meses, possibilidades de leitura da pintura de Vicente do Rego Monteiro - "A ceia eucarística". O desenho acima foi feito a partir da observação da cena eucarística. Minha principal referência para a realização deste trabalho foi o material ART BR, especialmente o caderno "religião". Acima, estão expostos lindas interpretações feita pela garotada.